Panorama humano

Evolução, vocábulo congruente com inconstância. O que não permanece ou não queremos que permaneça, é destruído para que haja renovação. É o ciclo natural da vida e da Consciência Unitária em busca da imersão na Consciência Cósmica. É o ciclo natural das células do nosso corpo ou de qualquer célula de organismos vivos, como a Terra. Nenhuma célula vive para sempre. Há uma “programação” para nascimento, manutenção e destruição. Será mera coincidência que GOD significa Generator, Operator and Destroyer?

O corpo humano está em constante renovação. Células novas nascem e células velhas morrem incessantemente. O Universo inteiro está em constante expansão, o que quer dizer que limites são limites momentaneamente. O sol, estrela maior do sistema solar, está em movimento constante: átomos de Hidrogênio se fundem e se tornam átomos de Hélio, reação que libera uma enorme quantidade de energia que chega a todos os planetas que orbitam o sol, e além. A reação de fusão nuclear hidrogênio-hidrogênio acontecerá até que não haja mais substrato e também o sol se transformará. Após a liberação de toda energia, os resquícios remanescentes (o Hélio) contrairão de tal forma devido à força da gravidade que as camadas exteriores irão se expandir e sua cor passará a ser vermelha, fase estelar conhecida como gigante vermelha. Sua jornada não termina aqui, ele ainda passará por outras fases. Nada mais do que transformação, renovação, evolução.

Evolução para renovação individual, planetária e universal. Somos células deste maravilhoso corpo em que entendemos lar, corpo, planeta, universo.  Da mesma forma que um hepatócito é parte do corpo humano, somos parte do corpo da Mãe Terra, Gaia. Da mesma forma, a Terra é célula do universo.

Em tempos de segregação social, racial, territorial, cultural, econômica, política e até linguística, está na hora de focarmos nossos pensamento e ações em prol da Unidade da consciência, da coletividade pensante e criadora da realidade em que vivemos. Não há separação entre indivíduos, entre a sociedade e o indivíduo, entre países politica ou geograficamente separados, entre a Terra e o Sol ou mesmo o resto do Universo. Somos todos um só e, se conseguimos transpor a barreira do ego, que tenta nos separar devido ao ilusório medo, estruturamos uma civilização condizente com a integridade amorosa da Consciência Cósmica. Nós somos nuances do Todo e, por sermos parte do todo, somos Deus. É uma construção mental bem simples: pense em um dedo da mão, ele deixa de ser você por ser um dedo? Não! Ele é você todo o tempo, assim como nós somos Deus fractalmente. Por isso, a forma que lidamos com nosso ego é de extrema importância para que nossas vontades estejam de acordo com a Unidade, não com a ilusória separação que baseia as decisões egóicas.

O termo ego é usada para destacar nuances de nossa personalidade que não estão em acordo com nossa essência divina. A palavra será usada para fins didáticos, mas não consideramos que a famigerada entidade conhecida como ego seja apartada do que somos. Ademais, não podemos confundir o ego espiritual com o ego da Teoria Psicanalítica elucidada por Freud. Apesar de serem compatíveis em vários pontos, em outros há um espaço semântico que os separa.

O ego espiritual é parte de nós assim como nossa essência divina. Não estão em níveis separados e fazem parte do universo dual do ser humano. Não somos parte essência divina, parte ego. Somos completos e divinos, mas, por ilusões/medo, criamos formas de nos defender de uma suposta realidade ilusoriamente compreendida como perigosa e, a este arcabouço mental estruturado socialmente, damos o nome de ego. Portanto, para melhor compreensão do que acontece com a psique humana, irei apartá-lo de nosso eu superior/essência divina.

As frases “Trabalhar é chato”, “Viver é monótono”, “A rotina é massante” e “Meu corpo não funciona mais como antigamente” são recorrentes para a maioria da população mundial. O número de pessoas que vive esta realidade é exorbitante. Parece que reclamar da vida é um dos passatempos mais divertidos. Só que não. Não é raro presenciar cenas de expressão da rebeldia que vive dentro de quem ainda não despertou para o poder que possui. O poder de alterar insatisfações, de transmutar energias, de curar doenças, de sentir gratidão por tudo que há e amar a todos, inclusive a nós mesmos, por sermos e termos tudo de que precisamos.

A faculdade de mudar está em todos e o sucesso na mudança está ligado apenas ao desejo de mudar, ao movimento para mudar e à conexão que temos com nossa essência, nosso eu superior ou mesmo o Deus que vive em nós (o Deus que somos). Apesar da simplicidade teórica, poucos despertam para a evolução que é constante. Digo melhor: poucos despertavam, já que agora é tempo do despertar em massa e a raridade será trocada por um crescimento exponencial no número de pessoas que estão se esforçando para fazer uma mudança significativa na forma como enxergam o Universo.

O desejo de mudar ações já assimiladas como causadoras de estresse, tristeza, depressão ou ansiedade está presente em todos. Ninguém quer ser triste ou depressivo para sempre. Pelo menos, conscientemente. É sabido que inconscientemente muitas pessoas regozijam com estados depreciativos nos quais se inserem devido a deturpações mentais que se enraízam no subconsciente em primórdios da infância. Prováveis relações parentais ou a falta de alguém para fazer tais papéis determinam recorrências comportamentais das quais o indivíduo não consegue se livrar. O trabalho de retorno ao estado de paz e felicidade raramente é fácil. A jornada em que precisamos entrar cada vez mais para dentro de nós mesmos é árdua e acaba sendo deixada de lado por muitos aspirantes espirituais, pois a dificuldade impede que o desejo de mudar seja maior do que a preguiça que nos mantêm em zonas destituídas de movimento evolucional.

A zona de conforto na qual muitos vivemos, ou vivíamos, não é mais tão aprazível. Deixar as coisas como estão não mais traz estabilidade emocional ou psíquica. É tempo de renovar ecos do passado, de deixar ir o que não serve mais e alargar o comprimento da compreensão que temos do mundo e da forma que podemos viver nossas vidas. É tempo de limparmos impressões estagnadas em corações desejosos de mudança. É tempo de renovação, de evolução espiritual, material, física, econômica, social, política e, acima de tudo, consciencial. Se expandimos nossa consciência e nossa compreensão de mundo, externo e interno, mudamos a maneira como nos tratamos, como tratamos os semelhantes e como tratamos a Terra e todos seus habitantes, animados ou inanimados. O mínimo que pode acontecer é uma evolução no Planeta e das vidas que aqui experimentam seus sentidos, que aqui gozam a plenitude de serem o Todo.

Muitos ainda vivem a dormência consciencial e culpam o mundo por suas “desgraças”. Não entendem ainda ou não querem entender que a causa de qualquer infelicidade mora dentro. Dentro de nossa mente. Dentro de nossos corações que ainda não aprenderam a permitir que as emoções sejam sentidas e não constroem o aprendizado contido em cada uma. Se conseguimos, ao invés de nos identificarmos com as emoções, observá-las com o intuito de obter o máximo de aprendizado possível, processamos os gatilhos, presentes no subconsciente, que eclodem o medo proveniente da ilusória separação de Deus e de todos os outros seres e permitimos que a energia flua livremente pelo corpo, o que determina menos propensões mentais que nos degradam a felicidade e a paz internas.

Estas pessoas podem ser comparadas a zumbis, pois desfrutam a vida semi-mortas por dentro. Vivem longe de suas essências divinas, vivem as sombras de serem meros empregados de um sistema econômico que nos tira a paz e nos conquista com os prazeres momentâneos que o dinheiro pode nos trazer. Vivem determinados e limitados por estruturas mentais assimiladas socialmente. Vivem baseados em padrões externos que extraem o elixir da felicidade de dentro do ser e o coloca, ineficazmente, no mundo externo, em objetos ou em outras pessoas.

Os zumbis são facilmente identificados: gostam de pairar por aí reclamando e gritando aos outros suas devidas partes na culpa sempre imputada a qualquer pessoa, entidade, grupo ou coisa, mas nunca ao próprio indivíduo. O único que deveria tomar as providências necessárias para a revolução interior urgente. Gostam também de gastar todo o dinheiro com roupas, acessórios etc. e, muitas vezes, são usuários de drogas, alcoolatras, reféns da indústria farmacêutica ou todas as coisas ao mesmo tempo. Muitos são viciados em sexo, aqui incluída a masturbação. Não conseguem controlar impulsos e acabam exagerando em alguns desses pontos, ou em todos, o que gera sobrecargas ao corpo, ao bolso ou às pessoas com quem convivem. Saliento que nenhuma das ações supracitadas são o problema em si e a fruição equilibrada de tudo que foi citado pode ser benéfica ao indivíduo. Equilíbrio é a resposta pra tudo, eu diria.

Muitos seguem suas vidas cômodos e incrédulos. Não conseguem transmutar padrões mentais que impedem a felicidade plena – estado natural do ser humano. Estamos vivos para sermos felizes, experimentar, conhecer-nos e expandirmos. Existe a ideia de que estamos vivos para nos reavermos com nossos karmas e assim podermos evoluir espiritualmente. Certo, mas penso que o sentido, até mesmo o das reações em potenciais (karmas), é criar, expandir e estar em paz, seja na matrix tridimensional, pentadimensional ou no mundo astral. A diferença é que quando encarnados, não estamos em pleno prazer como quando desencarnados, o que nos dá a oportunidade de expandirmos consciencialmente, pois temos que buscar a felicidade que se encontra adormecida dentro de nós. Por mais que situações e pessoas tendam a nos tirar a felicidade, isto não passa de interpretações que nós damos a fatos e pessoas. Como Nietzche já dizia: “Não há fatos, apenas interpretações”. Se alguma situação atrapalha o pleno gozo, é porque o indivíduo simplesmente permitiu que isto acontecesse, pois nada no mundo objetivo ou ninguém deveria ser capaz de nos tirar a paz, outra qualidade inerente ao ser humano.

“O termo felicidade é geralmente entendido como sendo a realização de determinado desejo ou o resultado satisfatório de uma determinada experiência; então, para obter mais felicidade, as pessoas tentam possuir mais bens materiais ou ter mais experiências. Entretanto, uma análise mais profunda revelará que a verdadeira felicidade é um estado de paz mental. E esta paz é um estado natural da mente. Portanto, sempre que se vê perturbada por desejos ou tensões, a mente procura se libertar dos mesmos, a fim de retornar a seu estado anterior.” (Shrii Shrii Anandamurti, Livro A liberação da Mente através do Tantra Yoga, página 64). Nesse caso, paz e felicidade podem se resumir à mesma carga semântica já que estar em paz é condição eficiente para a felicidade e ser feliz é qualidade de todos que estão em paz. Claro que paz e felicidade são conceitos subjetivos, pois cada ser encontra sua paz ou felicidade de sua forma. Note-se o meu estado de paz quando estou em um festival de música eletrônica em que para alguns a música constante é determinante de um stress descomunal.

Somos criadores de nossa realidade. É o que a teoria quântica nos diz. Somos os únicos responsáveis por tudo que acontece em nossas vidas. Cada passo dado, cada ação entendida como um erro cometido ou cada sucesso atingido fazem parte das escolhas que fazemos. Na música da vida, não há uma nota que saia do compasso. Tudo está em perfeita ordem. Se não gostamos do cenário em que vivemos, temos todo o poder e todo o aparato psicológico e material necessário para alterarmos a suposta realidade em que nos inserimos. Alguns têm mais condições materiais, mais dinheiro, outros possuem menos, mas cada um tem o necessário para poder fazer a mudança que quer fazer. Se felizes não estamos, caminhamos, tropeçamos ou não, mas saímos do lugar em busca do que nos ativa a felicidade intrínseca à nossa condição humana.

Para os que resolvem travar uma luta para reconhecer o próprio ego, a compreensão de destruir para renovar pode vir a se tornar factível em pequenas e grandes mudanças nos padrões comportamentais ou mentais (padrões que subsidiam um ego que opera inconscientemente). Fato é que alguma técnica de autoconhecimento faz-se necessária para um profundo conhecimento do ser. Sem o conhecimento das profundezas que nadam incógnitas em nosso inconsciente, a vida se encarrega de promover tais alterações que podem ocorrer conscientemente ou podem ser fatos dispersos por quais somos acometidos e traçam veredas distantemente curvadas do alvo para o qual imaginamos mirrar nossas forças potenciais.

Se, por barreiras psicológicas ou por crença de que não possuímos a quantidade necessária, seja de dinheiro ou do que for, não alteramos nossa realidade para sairmos da tristeza, da depressão, da falta de motivação etc., a vida/Deus/destino/ou simplesmente a roda cármica se encarrega de dispor meios para que saiamos da zona de conforto. É incompreensível e inaceitável estarmos absortos em zonas de suposto conforto sendo que tal conforto nos causa tamanho desconforto ao ponto de nos tirar a vontade de progredir. É até hilário, porém trágico e deprimente.

Os avisos podem ser amenos, como encontros com pessoas que nos ajudarão na caminhada, perdas de objetos entendidos como essenciais para a sobrevivência ou mesmo recebimento de textos ou símbolos que nos remeterão a pontos de nosso ego que podem ser alterados para que a felicidade emerja. Porém, em muitos casos, os movimentos podem ser catastróficos. À primeira vista, pelo menos. Doenças, perdas de entes queridos, acidentes fatais ou debilitantes, assaltos, erupções vulcânicas, terremotos ou explosões podem ser sinais para o despertar da consciência.

Dito tudo isto, saliento que é tempo de mudança e quem não quiser mudar, pode ser que sofra um pouco o poder aterrorizante da estagnação. Mas claro que todos temos escolhas e ninguém é obrigado a mudar. Somos livres para escolhermos como queremos viver, gozar e morrer. Sejam livres, vivam livres e gozem livres. Estamos aqui para sermos felizes!

Muitíssimo grato por sua visita e pelo seu tempo gasto para ler este texto. Espero ter esclarecido alguns pontos que considero importante.

Com amor,

Felipe Abras

Aloha!

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: