fogo


O fogo
queima
se a pele
teima
em repetir o passado
o conforto sempre vivido
agora, assado
morto e enterrado.
a natureza não é dual
ela faz seu dever
sem julgar
ou temer
o que está pela frente
não importa o que a gente tente
vai queimar
se estiver na hora de ir
e a gente ficar
vai queimar
é por amor
apesar da dor
vai queimar...
e queimou
a floresta, o mato e a insistência
de egos perdidos
em tantos conflitos, internos...
e queimou
a pele, a desgraça e a sapiência
de quem se acha o controle
e se perde em cobranças
inúteis, quiçá
fúteis...
e queimou
o bambuzal o ideal
e nos relegou
ao real
à consciência
dos que se observam
e diariamente
se autoconhecem
vasculham e se elevam...
queimou
e irá queimar
até que a pele, a graça
flua a essência
o elixir da criação
que descansa sedento
por renascimento
por união
pelo chão, que moramos
e com a mente criamos
ao unirmos... em coração.


Felipe Abras

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