“O outro em si”

No último domingo, 27/08/2017, eu tive o prazer de assistir ao espetáculo
“o outro em si”, da Cia Sesc de Dança. Desse momento inenarrável, nasceu o poema:

Ele se perdeu
andou andou andou
e se perdeu
em tudo que se envaideceu
ele se buscava
em todas as portas que escancarava
entrava
saia
os pormenores, media
na dor, se perdia
no amor, nem sabia
com qual perna andar
se fugir ou se entregar
ao comichão, perdia o chão
corria
de si
e percebia
que antigos padrões repetia.

Era muitos
a mão não mais contava
de quantas roupas se arrancava
vestia curtia
e após algum tempo
sofria sofria,
não mais aguentava
a torto e a direito, dançava
ora um ora outro
por todo o corpo
a pele se arrancava
na tentativa de mostrar a cara
a seiva
o elixir da interação
que lhe fizesse canção.

Muito do que ele tentou
o coração escancarou
viu sombra
e navegou
fez-se luz
e propagou
diante de todas suas rivalidades
e dualidades
viu-se obrigado a matar
um tanto catarse
para poder se enxergar
e somente assim
percebeu que alojava
e um tanto amava
“o outro em si”.

 

 

Felipe Abras

8 comentários em ““O outro em si”

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